Lhaís Rodrigues propõe um maior incentivo às que desejam ingressar no mercado de TI

A desenvolvedora explana seu posicionamento para com a luta da mulher na conquista de um espaço no mercado, vem conferir!

14 de julho de 2017
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A entrevistada de hoje dispensa apresentações, já passou por nossos posts algumas vezes, mas para os que não a conhecem, Lhaís Rodrigues, de 21 anos, cursa engenharia da computação e atualmente atua como desenvolvedora na Ávila soluções e instrutora no programa adaXP, uma iniciativa de curso de programação exclusivamente para mulheres. Além de ser uma das criadoras do Mete a Colher, um aplicativo que ajuda mulheres no combate à relacionamentos abusivos. Decidiu ingressar em TI quando entrou na ETEPAM cursando manutenção e suporte de informática, a vontade de se tornar química logo se voltou para a tecnologia, após perceber a gama de possibilidades que que existia na área.

Lhaís está há um ano no mercado de trabalho, mas desde 2015 atua desenvolvendo projetos seja no foco em desenvolvimento ou hardware com sistemas embarcados, e afirma que bem antes de atuar no âmbito, não tinha a certeza do que exatamente queria para a vida e qual o propósito que ela teria, e o ponto primordial que a tecnologia da informação mudou em sua vida foi o reconhecimento do seu propósito, que é criar soluções para ajudar a sociedade utilizando da tecnologia.

“Desde pequenas, as mulheres são colocadas para atuar em algumas funções predeterminadas, assim como os homens. Geralmente falta incentivo por parte da sociedade e dos pais, para as meninas que decidem atuar em áreas que são em sua grande maioria de atuação masculina. Essa falta de estímulo desde a base, eu acredito, que seja o maior desafio e dificuldade, pois é na base da vida que começamos a galgar o que almejamos nos tornar. Quanto mais diversificado conseguirmos construir o mercado de trabalho, mais e melhores resultados conseguimos obter, seja na área de tecnologia ou em qualquer outra. ”, conta.

Ao perguntarmos como se sente, como mulher, trabalhando nesse meio que é predominantemente composto por homens, Lhaís diz que se sente bem, mas se tem uma coisa que sempre aprendeu ao escutar coisas desagradáveis ou vivenciar situações onde sua capacidade é colocada em tese pelo simples fato de ser mulher é que neste momento você identifica se você faz o que realmente gosta. Essas situações são desestimulantes e algumas pessoas não conseguem sair delas de modo tão fácil, por isso é interessante que haja projetos e comunidades de incentivo.

“Segundo pesquisas, muitas mulheres conseguem se formar, mas poucas conseguem atua no mercado de trabalho pelo fato de nãos é propício para esse público. Ocorre que mulheres, biologicamente, requerem responsabilidades como ser mãe e o mercado não está preparado para lidar com isso, e de certa forma é injusto desqualificar uma profissão pelo seu gênero e não por sua capacidade. Se o mercado e as empresas não mudarem, estabelecendo que cada pessoa pode ter os eu espaço, estes irão perder muitos talentos e os resultados podem vir a decair. ”, esclarece.

A desenvolvedora nos conta que desde pequena teve total apoio e incentivo da parte dos pais, em sua casa, costumava ficar responsável por ajeitar e arrumar os aparelhos eletrônicos. Na época o que a dificultou de acreditar que podia atuar na área era o fato de não ter mulheres a quem se espelhar, e sempre que comentavam sobre algo relacionado à tecnologia, imaginava a imagem de um homem que mexia e resolvia os problemas dos computadores.

“Queria dizer, para todas as mulheres, que elas são capazes de atuar aonde elas desejarem. Atuar em tecnologia não é fácil mas você não está só. Procure ajuda, comunidades e projetos de incentivo e procure outras mulheres que já atuam ou que desejam atuar como você. A ideia de que juntas somos mais fortes se atua em todo o contexto. Precisamos desde sempre, como mulheres, nos unimos.”